(...)
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Buraco
Não tenho mais intervalos engraçados como antes, tão pouco aquele empurra-empurra que a gente dava quando escutava o sinal dos 20 minutos mais bem aproveitados das nossas vidas. Não existe mais aquela curiosidade pra saber quem falou o quê de quem, o que consequentemente geraria aquelas briguinhas onde os amigos tomavam partido e aquilo se estendia durante o resto do ano. Aquela richa e as advertências e as preocupações com o vestibular e o medo e as farras e as farras e as farras. Sobrou um buraco triste entre o intervalo e esse sinal que não quer mais tocar. Não tenho mais aquela euforia, aquela cordinha da alegria na qual a gente se agarra porque o futuro assustava um pouco a gente. Os planos de nos encontrarmos a cada 15 dias pra desabafar o quanto a faculdade sufocaria a gente e a droga do sinal, parece que não vai tocar (...) Se vocês soubessem o estado que estou agora, em plena madrugada, pegando detalhes de cada um por aqui, e doendo tanto que nem sei mais por onde começar. Eu não aguento mais começar. Queria tanto continuar. Não sei, não aguento, ainda não posso, mas queria continuar. É que faz um tempo que espero a porcaria do sinal tocar e ele não toca! Alguma coisa deu errado por aqui, eu não sei bem explicar e eu não sei como arrumar e nem sei se tem ajuda pra isso. Mas meu corpo inteiro se revolta quando paro pra pensar nisso! Bem... o futuro continua me assustando, mas pelo menos antigamente eu sabia que no próximo ano, só iria mudar alguns professores e o coordenador talvez. As pessoas ao qual eu me relacionaria seriam as mesmas, devido aos tantos anos estudando juntos e fazendo de muitos deles a minha segunda família. Aí é onde me deparo com gente nova todo o tempo e o meu ciclo muda a cada seis meses, a cada período, pelos dois semestres. A faculdade é imensa, tem gente ali que eu nunca vi na vida e eu pareço mais um no meio de um milhão! Cadê a hora em que o sinal toca e lá vem Matheus brigar comigo porque eu tô no corredor berrando e brigando de empurrar a todos? Cadê a coordenadora me chamando pelo nome? Nossa, na faculdade não têm um funcionário que me venha à mente que nos chame pelo nome. Me mata constatar como é ridículo ficar com saudade das pessoas que falavam mal de mim ali e depois de um tempo, de uma longa conversa, a gente faria as pazes e num churrasquinho que era onde tudo terminava, a gente ria do quanto éramos infantis em brigar por bobagem. Me perdoem por essa saudade melancólica que eu venho sentindo nesses primeiros momentos. Enfim. Cansei. Cansei de esperar esse sinal tocar. Se é assim que tem que ser, vai ser. Terei mesmo que enfrentar tudo isso sem vocês? Aham... e eu vou conseguir, pra um dia quem sabe, sentir saudade da faculdade, como hoje eu sinto de vocês. I think.
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