
Há quem diga que todas as noites são de sonhos. Mas há também quem garanta que nem todas, só as de verão. No fundo, isto não tem muita importância. O que interessa mesmo não é noite em si, são os sonhos. Nos meus sonhos, deixei que ele entrasse num mundo inteiramente nosso. Deixei que mergulhasse no mais profundo oceano, que flutuasse na minha nuvem mais alta. E de repente não estava me sentindo sozinha, na névoa. Ele estava comigo, segurando a minha mão. Não sei se era o calor de seus dedos ou a gentileza de seu sorriso que afastava o temor, mas subitamente estou convencida de que naquele momento, tudo estava bem. Naquele momento eu amava tudo que ele significava e tudo que ele não significava, mas deveria significar.
Nada jamais poderia ser triste, ninguém poderia morrer nem estar longe: estávamos ali, naquela hora, e nada poderia estragar aquela perfeição, nem roubar a alegria daquele momento perfeito. De tudo ficaram três coisas: A certeza de que estaríamos começando algo, a certeza de que eu estava a fim de continuar e, a certeza de que poderíamos ser interrompidos antes de terminar antes mesmo de começar. Fazendo da interrupção um caminho novo, fazendo da queda um passo de dança, do medo uma escola, do sonho uma ponte, da procura um encontro. É... eu sei que estas alegrias violentas tem fins violentos, falecendo no triunfo, como fogo e pólvora, que num beijo se consome, mas você me deu o que eu não conhecia: um tempo onde cada segundo de você foi real, muito mais do que qualquer outro segundo. Eu pertencia a todos os povos, mas você inventou um mundo. Perdoe-me por esse desvio cultural, rapaz. Nenhuma mulher se sente amada o suficiente.
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